Reencarnação – O que a Bíblia diz?

Antes de tudo, qual o significado de reencarnação?

Seria viver novamente na carne ao invés de a carne viver novamente.
E essa ideia não é de Allan Kardec, remonta milênios na verdade. Mas Allan Kardec, foi quem fez o melhor “marketing” e eis que em meados do século 19 o mundo começava a olhar para a espiritualidade com outros olhos com a publicação do Livro dos Espíritos.

Para Kardec a reencarnação é compulsória e ocorre com o propósito de evolução espiritual rumo à perfeição. Sendo que para uns ela acontece como um castigo “ou expiação” enquanto para outros é uma missão. Destaquei quatro pontos que merecem um questionamento posterior:

  • A reencarnação – Palingenesia* – só acontece em grau evolutivo nos reinos. Isto é:

Um espírito que desencarnou de um humano não pode retornar à terra, no corpo de um animal, bem como nos reinos vegetal e mineral. Dizem as más línguas que na edição revisada do livro em 1857, ele vem a dar uma aliviada neste conceito, mas o fato é que os espíritas são unânimes em defender que só há evolução, jamais involução. Minha opinião? Acho que isso é como passar a mão na cabeça de menino que só faz caca, pois se não há involução fica fácil, pode-se levar uma vida sem propósito algum e voltar depois para consertar, sem grandes consequências. Mas o fato é que segundo o espiritismo jamais voltamos à terra no corpinho de um rinoceronte por exemplo… Ou um brócolis…

  • E ele dá a entender que alma e espírito são a mesma coisa, apenas mudando o nome para “alma” quando o espírito está encarnado.
  • Caso um espírito desencarne, qualquer outro espírito que venha a ocupar o corpo recém-abandonado, será um obsessor.
  • A explicação de Kardec sobre os motivos da reencarnação é sempre no sentido de trazer o fenômeno para o espiritismo, como se estivesse sempre “fazendo caber” na doutrina espírita, em resumo: é um conceito bastante dogmático, embora muitos adeptos repitam veementemente que espiritismo não é religião.

E se Kardec defende reencarnação como uma espécie de marca registrada do espiritismo, o cristianismo por sua vez rejeita com todas as forças a ideia de voltar pra cá em outro corpo. Mas segundo a história, não foi sempre assim…

Alguns historiadores e até algumas escolas de iniciação, defendem que até meados do século 6º, o cristianismo aceitava a reencarnação, já proclamada como fato incontestável pela cultura religiosa oriental, milênios antes da Era Cristã.

Antes de continuar, quero abrir um parêntese aqui: (Os atuais líderes do cristianismo, dizem que não existem comprovações históricas de que a Bíblia era reencarnacionista nos primeiros seis séculos do cristianismo. Maaas a verdade é que existem evidências fortíssimas de que sim, as histórias parecem muito verdadeiras se costurarmos os pontos. Mas é um tema bem longo, que vale um artigo inteiro só para ele).

E então retomando… Vivaldo de Araújo entre outros, diz que o Segundo Concílio de Constantinopla em 553 d.C resolveu eliminar a ideia de reencarnação, a substituindo pela ressurreição. E alguns dizem que o motivo foi para atender às exigências do império bizantino.

Aí você pode estar se perguntando: Mas o que têm a ver questões políticas com reencarnação? Na verdade tem tudo a ver. Mas também não vou me ater nisso por hora senão isto aqui vai virar um livro.

E então o Concílio decidiu rejeitar o pensamento de Orígenes de Alexandria, um dos maiores teólogos já vistos na história da humanidade.

Depois de Orígenes, são Gregório Magno (que foi papa de 590 a 610), e que tinha grande prestígio entre os cristãos primitivos, era reencarnacionista.

E mais, muito depois, o Padre Gino Concetti que era de uma ordem franciscana, também entendia que é possível se comunicar com os mortos, com espíritos.

E temos ainda o Padre François que estudou Hieróglifos Egípcios, Assírios, Babilônicos e Hebraico. Em 1983 ele publicou o livro “OS MORTOS NOS FALAM”  onde relata suas vivências na época das pesquisas da Transcomunicação, que é o sistema que permite o contato com Espíritos, através de aparelhos eletrônicos.

Mas mesmo assim o cristianismo hoje rejeita a reencarnação. E por outro lado, defende que existe a ressurreição do corpo material. Particularmente entendo a ressurreição de forma muito diferente do que os cristãos em geral.

Mas afinal, existe base no Evangelho para a reencarnação?

No evangelho de São João capítulo 1:21 consta assim: “E perguntaram-lhe: Então quê?

És tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E respondeu: Não.”

E ele não era MESMO Elias, eram corpos distintos, pessoas distintas, mas o espírito era o mesmo. E em São Mateus 11:14 Jesus confirma dizendo:  “E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir.”

E de novo em São Mateus 17:12 “Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem.”

Tem várias outras passagens no antigo testamento, que também dão margem a este entendimento e aqui eu queria fazer outra observação: Você sabia que o cristianismo é a irmã do meio entre três vertentes abraâmicas? A religião mais antiga entre as três monoteístas é o judaísmo, seguida do cristianismo e a caçula que é o islamismo. E um fato curioso: adivinhe o que o judaísmo tem como forte conceito? Isso mesmo:

A reencarnação!

E isto constava já na cabala judaica no século 13! Os judeus entendem que existe a reencarnação, mas acreditam também na ressurreição do corpo material, inclusive com um conceito semelhante ao do cristianismo. Mas em minha opinião acaba não fechando a conta, pois: qual espírito e alma habitariam tantos corpos já que reencarnamos diversas vezes? Por isso entendo a ressurreição com outro sentido.

Mas então você poderá dizer que em Hebreus 9:27 consta: “Ao HOMEM será dado morrer apenas uma vez!”… Certo, mas você já parou para pensar que neste caso realmente quem reencarna não é o Homem? Não seria a persona, mas sim o Espirito, que em cada nova encarnação teria um nome diferente, uma aparência diferente, uma informação genética e psicológica diferentes, nome e cpf diferentes etc e tal.

O fato é que para muitas pessoas o véu do esquecimento está rasgando, e se isso começar a acontecer com mais pessoas, as instituições religiosas estarão em perigo de desabar como castelo de cartas, pois muitas religiões funcionam como controle mental e se a humanidade soubesse da verdade, o mundo seria outro.

No próximo post , vou abordar o tema da reencarnação sob o prisma das religiões orientais.

ADENDO (A Palingenesia)

Sua etimologia vem de duas palavras gregas “palin” (“de novo”) e “genesis” (“geração”): de novo em geração; regresso à vida depois da morte, isto é: reencarnação. Porém está traduzida erradamente na Bíblia por “regeneração”, uma consequência das gerações ou reencarnações, mas não a própria regeneração. Para o professor de grego, doutor em Bíblia em Roma, o padre Carlos Torres Pastorino, autor do compêndio “Sabedoria do Evangelho”, a tradução de “palingenesia” na Bíblia por “regeneração” é forçada para ocultar o sentido reencarnacionista do contexto.

Tem um livro bem interessante sobre este tema, A Chave perdida – A Palingenesia na Bíblia.

Obrigada por ter lido,

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