Quando sufocamos nossa criança interior

Não respire curtinho!

Sabe,

Estava agora a pouco com o nariz enfiado no meio da papelada, preparando um material para o curso presencial das meninas da costura, e estava ali super concentrada na organização do conteúdo e separa isso, guarda aquilo, tira papel, guarda papel e pah… Lá pelas tantas me peguei sem respirar, sabe aquelas respiradinhas curtas que a gente dá?! E quando percebe que está fazendo isso, a gente puxa o ar que parece subir lá do calcanhar?!

Olha, isso é a pior loucura que uma pessoa pode fazer consigo mesma. Respirar mal não é vida, é sobrevivência apenas. É sofrer! E imediatamente me veio uma coisa à mente, a comparação foi inevitável e resolvi compartilhar aqui, que é o meu cantinho dos devaneios e voltando ao tema, o fato é que quando fico cortando a respiração desse jeito, comparo isso a um período de minha vida em que eu sem perceber só fazia o que não gostava, tinha que falar o que não queria e não era quem eu gostaria de ser. E quando não fazemos o que gostamos, quando não dizemos o que gostaríamos de dizer, quando não somos quem gostaríamos de ser, é como se estivéssemos cortando a respiração mental…

Sempre que você se pegar falando ou fazendo coisas que agradam os outros mas que te deixam deprimido(a), reflita… Repense e se possível dê um passo atrás. Puxe o ar lá do fundo do seu calcanh… oooops, do seu pulmão e se questione:

Quem está falando em minha boca? Sou eu mesmo (a) ou quem está falando por mim é aquele projeto que meu pai, minha mãe, meu professor, minha namorada, tooooodos os “outros” queriam (ou querem) e idealizam em mim?

Quando começamos a incorporar projetos alheios em nossa mente e em nossa vida, começamos a respirar curtinho na existência. Vamos sufocando nosso Eu verdadeiro, nossa criança intrépida. Ao contrário do que pensamos, nossa criança interior não morre quando entramos na vida adulta, ela apenas silencia diante da nossa ‘maturidade’, afinal gente grande sabe das coisas. SÓ QUE NÃO!

Criança é energia pura! A criança que existe em nós é quem nos permite exercer a (cria)tividade. Nascemos criativos e nos esquecemos dessa habilidade durante a vida. Silenciar nossa criança interior é um tremendo desperdício! E é exatamente isso que fazemos à medida em que nos adequamos aos projetos que os outros fazem para nós.

 

Não aceite viver restos de sonhos alheios

É muito comum o pai projetar em seu filho uma brilhante carreira de advogado, pois é o sonho que ele próprio não realizou na juventude, por ter seguido a profissão que foi sonho não realizado do pai dele, que seguiu o conselho do avô que seguiu o conselho do bisavô! E então a pergunta que faço é:

O que impede uma pessoa de retomar os próprios sonhos, e realizá-los em si mesma? Porque projetá-los nos filhos? E em minha opinião, uma pessoa que transfere seus desejos não realizados para outra pessoa esperando que esta os realize, seja um filho ou o parceiro(a) ou um amigo, é egoísta no nível hard!

Cada Ser nesta tão breve existência precisa dedicar seu tempo, energia e respiração, para realizar os próprios sonhos e desejos.

E sabe o que acontece quando decidimos tomar o controle de nossa vida, nos livrando das sobras e entulhos que o mundo vai jogando em nossas costas desde que botamos a cara pra fora do útero da nossa mãe? Curiosamente paramos de falar e agir como estávamos fazendo até aquele momento! Quando damos ouvidos ao nosso verdadeiro Eu, nossas falas mudam, nossos gostos musicais mudam, nosso paladar muda, o estilo de roupa muda, tudo muda! Tudo se desconstrói para então se reconstruir a partir de nossa verdadeira essência. E aos poucos nossa respiração emocional adquire um ritmo cadenciado e gracioso.

É como se mudássemos a estação do rádio passando de uma Hardwired (nada contra quem gosta), para uma Mariage D’amour de Chopin.

E tendo aprendido a controlar nossa ‘respiração mental’ começamos a prestar mais atenção à respiração do corpitcho físico. E um corpo bem oxigenado que acolhe uma mente limpa e renovada, é sinônimo de uma vida mais feliz. São nos pequenos detalhes que moram as diferenças.

A técnica não técnica

Existem técnicas de respiração que são verdadeiros milagres para a saúde física e mental. Não vou entrar em detalhes aqui pois seria necessário um livro para explicar cada uma delas, mas uma técnica bem facin-facin para respirar melhor sem ter que sair caçando fórmulas mágicas por aí, é esta que uso sempre que bate a fadiga, e funciona:

Inspire (puxe o ar para dentro dos pulmões) somente pelas narinas e com a boca fechada, contando 4 segundos. Segure o ar e conte por 4  segundos. E então expire (solte o ar dos pulmões) com a boca aberta, contando mais 4 segundos. De preferência faça isso num lugar tranquilo e de olhos fechados. Mas se não for possível, faça onde estiver, não tem contra indicação nem posição indicada, apenas respire.

Repita isso umas dez vezes seguidamente e então retire sua atenção da contagem.

Pode ser que você sinta uma leve tontura ou sono; se tiver como cochilar uns 15 minutinhos, faça isso! Seu corpo e sua mente agradecem. Caso não possa tirar um cochilo, após o exercício tome um copo d’água e movimente-se para que seu corpo retome o ritmo.

E vale lembrar que por mais equilibrada que uma pessoa possa ser emocionalmente, a vida é cheia de desafios, cada dia é uma batalha interna que travamos, então sempre que estiver com aquele aperto no peito, faça um breve exercício respiratório. Isto certamente trará um efeito no mínimo, tranquilizador.

E lembre-se: Só podemos amar verdadeiramente aos outros, quando nosso amor próprio é tanto, que transborde. Então se ame, incentive sua criança interior a retomar a criatividade sufocada, ouse ser você de verdade, a vida pede isso de todos nós!

 

 

 

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