Quando a religião deixa de ser o refúgio da alma

Porque me afastei da religião

Sabe, este artigo ficou guardadinho aqui por um bom tempo… Comecei a escrever, desisti, retomei e novamente arquivei. E só decidi publicar após ter a certeza de que eu conseguiria ser fidedigna aos meus sentimentos, mesmo tentando minimizar o impacto, pois é um assunto polêmico.

E aliás, mesmo eu escolhendo as palavras com cuidado, ainda assim você poderá se indignar com o que vai ler. Sei que ao publicar este artigo, corro o risco de perder amizades de uma vida inteira, pois tenho pessoas amigas que continuam na mesma religião que um dia foi minha fonte de relativo conforto, e que estas pessoas podem acabar lendo isto e se chocar com o que vou contar.

Inclusive aproveito para fazer uma observação importante aqui: Caso você seja uma pessoa realizada, com sua saúde cem por cento, se você dorme bem à noite (sem Rivotril), se não sente angústias, vive uma  paz plena, seu relacionamento amoroso vai bem, se está em paz com seus familiares, com seus colegas de trabalho, não tem dúvidas quanto a sua fé religiosa e tem certeza de que está no rumo certo, recomendo fortemente que não leia este artigo, pois sua vida está como deveria estar e ler isto te faria perder um tempão.

Mas se ainda assim decidir ler, peço que deixe suas armas e escudos aqui na entrada, para que você consiga analisar o que vai ler, sem julgamentos e se colocando como alguém que apenas observa. Pode ser que seu ego comece a espernear, esbravejar e gritar dentro de você. Mas uma coisa é certa, se conseguir ler até o fim, terá ao menos conhecido uma história real com um final muito feliz…

Mas antes de tudo, gostaria de deixar claro que considero as religiões extremamente importantes para a evolução da humanidade, e abordo este tema em outro artigo, caso você queira ler, clique aqui. E agora vamos lá…

Indo de encontro ao fogo do inferno

Uma coisa que me ocorreu bem depois, foi que durante todo o tempo em que pertenci a uma comunidade religiosa, (e foram mais de trinta anos), nunca foi de forma voluntária! Fiquei por imposição, primeiro dos meus pais, depois do marido, mas sempre me senti como um peixe fora d’água.

E ficava lá, fui ficando… Até o momento em que as angústias e medos se tornaram insuportáveis. Lembro-me de que ouvia aqueles discursos ameaçadores, como por exemplo: “Aquele que se desvia da doutrina, o espírito de Deus o abandona e sete espíritos maus se apossam deste ser, e seu estado se torna pior do que antes”. E diziam mais um monte de coisas que hoje sei que eram absurdas, mas que naquela época me deixavam com muito medo.

Havia até testemunhos de casos em que os “desviados” do caminho contavam que sentiam o fogo do inferno queimar na pele. Eu não queria sentir a pele queimando, eu já havia me queimado com ferro de passar e também na lida com as panelas no fogão, e a dor das queimaduras era lancinante, horrível mesmo!

No entanto comecei a perceber que mesmo estando dentro da igreja, eu não estava feliz. Meu casamento não ia bem, era uma vida de fachada, me sentia hipócrita, pois havia uma doutrina a seguir, e eu não a levava a sério. Era muito vaidosa, não era submissa ao marido, me sentia uma pecadora por não obedecê-lo, e já começava a sentir  queimando não só na pele, mas também o coração.

Pedia auxílio divino, pois queria fazer o que era certo, mas não sabia como fazer, e não obtinha resposta. Então deduzia que Deus não me ouvia devido as minhas rebeldias, afinal eu pintava minhas unhas, vestia calças compridas, desobedecia o marido… Como ainda ousava pedir auxílio divino?

Então suspeitei que o queimar de pele de um desertor não poderia ser muito pior do que aquilo que eu já vinha experimentando. E qual não foi minha surpresa ao descobrir que ao sair daquela caverna eu veria o sol? Que sentiria a paz mais sublime que jamais havia experimentado? E que meu coração se encheria de amor? Amor por todos e por tudo?

O presente de um pai amoroso

Não foi um único motivo que me fez questionar o sistema, mas cito aqui apenas os mais relevantes; Lembro-me que comecei a ter muitos déjà vus, as vezes eram três ou quatro num mesmo dia, eu via as sequências de acontecimentos e pensava: “Agora vai acontecer tal coisa” e… bingo! Acontecia exatamente aquilo, naquela fração de segundo.

Aquilo estava me intrigando. E junto com os déjà vus comecei a ter sonhos lúcidos, que ao acordar ficava confusa, tanto pelo teor dos sonhos quanto pela confusão mental que eles me causavam, tamanho era o realismo dos sonhos; ficava por uns instantes pensando que estava dormindo ainda.

Certo dia acordei com um questionamento em minha mente: – Se meu pai (biológico) falar que tem um presente para me dar, que é a habilidade de voar, e que para ganhar só preciso pular do décimo andar de um prédio, mesmo sabendo que meu pai existe, pois o vejo com meus olhos, e sabendo que ele me ama e que jamais me faria algum mal, ainda assim eu não pularia do prédio, visto que não tenho certeza absoluta de que vou realmente voar, então como é que vou acreditar numa promessa que me fazem, com base num ser que eu nunca vi, e que o histórico deste ser é de bastante crueldade para com a humanidade (todas as guerras e mortes narradas na Bíblia foram em nome dele), e que este ser me diz que para eu ganhar o presente, eu preciso morrer primeiro?

E que ainda assim, antes de morrer eu tenho uma lista de exigências e proibições a cumprir, e que caso não as cumpra não terei o presente e o que é pior; terei um castigo com fogo, e não será uns minutos queimando, será eternamente.. Então não consigo conceber que um ser assim exista e seja bom. Ou ele não existe e foi criado por seres semelhantes a mim, com o intuito de me controlar pelo medo, ou este ser existe, e ele não é bom. Então por estes questionamentos, eu decidi sair em busca da verdade.

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará

E se eu tinha alguma certeza, era a de que a minha verdade NÃO estava na religião. Porque eu lia na Bíblia que Deus era imutável, ele era o mesmo ontem, seria hoje e eternamente. Então, ou eu cumpria aquela doutrina, ou pulava fora. Cumprir havia se tornado algo absurdo para meu espírito livre, eu precisava questionar!

Como as pessoas conseguem viver sem questionar isso?! Questionamos tudo na vida! Não pagamos um boleto sem saber quem está cobrando! Não abrimos sequer a porta de nossa casa sem saber o máximo possível sobre a pessoa que pretende entrar! Como é que as pessoas não questionam quando o assunto é a própria vida, a própria origem?!

Questionar requer coragem

Se faz necessário esclarecer aqui que, salvo algumas verdades matemáticas, todas as outras verdades são relativas, pois dependem do ponto de vista do qual são observadas. E vou fazer vários artigos sobre minhas descobertas desde o início da minha jornada de buscas em 2011. Para acessá-los sugiro que clique na aba ESPIRITUALIDADE no menu do blog.

Pode ser que demore para eu conseguir colocar todos os estudos, dependendo da data que você estiver lendo este artigo, pois sou um tipo de pessoa que a-do-ra fazer trocentas coisas ao mesmo tempo, e com isso, as coisas vão ficando prontas à passos de tartaruga. Mas aí eu penso: E daí? O que é o tempo?

Ah, lembrei de uma coisa: As coisas que estou contando são as minhas verdades. Podem não servir para você. E se não forem as suas verdades, paciência. Mas meu palpite é de que você conseguirá encontrar a sua verdade bem mais rápido, após saber quais são as minhas verdades.

Com base nas sombras projetadas na parede, temos um cilindro ou um cubo?

Mas o fato é que questionar crenças, conceitos e costumes de um grupo, uma sociedade, uma civilização, requer muita coragem! É o mesmo que ir ao shopping em véspera de natal e experimentar subir pela escada rolante que desce. Você pode até conseguir, mas será muito sofrido. As pessoas te empurrarão para baixo mesmo sem querer, não são as pessoas, é a escada que está no automático! E todos obedecem ao sentido da escada. Inclusive fazem piada com quem tenta subir. Afinal você está indo no sentido contrário ao que todos estão indo, e isso é uma besteira. Mas o fato é que se você conseguir subir, poderá ver o andar de cima por um ângulo que não é visto pelos que obedecem o sentido ordinário da escada.

Só que quando você não tem coragem, sua covardia e seu medo se transformam em doenças. A primeira doença que chega é a depressão.Depressão é doença da alma. É o grito abafado de sua intuição, porque se ela grita e você não houve, ela aquieta e se converte em depressão.

Aquele que beber desta água, não mais terá sede

E então eu recordo uma passagem bíblica onde Jesus diz: “Mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna“, e depois de tanto buscar, eis que tudo faz sentido agora, pois aquela paz e plenitude que eu sentia ao sair de um culto que considerava abençoado, nas raras vezes em que conseguia pegar algumas migalhas de conforto, quando na maior angústia eu pedia misericórdia a Deus, migalhas aquelas que eu julgava nem merecer, agora tenho esta paz na alma, durante as 24 horas do meu dia!

Não sinto mais sede (não sinto mais necessidade de frequentar cultos), pois após atravessar o deserto da minha alma, descobri um oásis de água pura e cristalina, onde bebo a água da vida. Fiz de meu Ser, o templo do Divino. E posso garantir que isto está disponível para todos, basta esticar o corpo para fora da caverna. No início, dói. Mas não dói para sempre.

Demorei quarenta anos para enfim compreender que os livros considerados sagrados pelas religiões, são dramas da psique humana, são conhecimentos milenares que quando decodificados promovem a liberdade da alma e do espirito. E só então pude compreender o real significado de um trecho bíblico em que o Cristo, na figura de Jesus diz:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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